O anúncio da saída de Odorico Roman e Saul Berdichevski escancarou o que há
de pior nos bastidores do futebol: inveja, mau-caratismo e o desvio da função
da Imprensa. Para compreender isso, é preciso contextualizar.
A gestão Fábio Koff (2013-2014) pode não ter conseguido adquirir a
administração da Arena, mas cumpriu um papel fundamental para recolocar o
Grêmio no caminho das vitórias: o processo de pacificação política do clube.
Koff soube acomodar forças históricas do clube com grupos emergentes, trazendo
o Fórum de Debates (como o próprio nome diz, um fórum composto pelos mais
diversos grupos políticos, com o objetivo de debater temas importantes para o
Grêmio, buscando uma agenda mínima), gestado no Conselho Deliberativo, para
dentro da administração do clube.
Além disso, o próprio Conselho de
Administração do presidente Koff deixava claro esse projeto, tendo gremistas
históricos como Adalberto Preis, ao lado de figuras emergentes das novas mídias
como Odorico Roman e outros não tão conhecidos da vida política do clube, como
Romildo Bolzan Jr. Esse processo de pacificação mostrou-se exitoso quando Romildo Bolzan Jr.
foi indicado para concorrer à presidência pela situação e venceu, ainda
mesclando gremistas históricos, como Adalberto Preis e Marcos Herrmann, com o
"sangue novo", como Odorico Roman e Antônio Dutra Jr., com as bênçãos
do grande presidente Fábio Koff.
Com isso, o clube entrou numa nova era. De
democratização, transparência e pacificação. E a estabilidade necessária para o
retorno das taças. O que aconteceu e seguirá acontecendo. Como pudemos ver nas
últimas vezes que foram necessárias mudanças no Departamento de Futebol, onde a
manutenção do projeto de Futebol do Clube, e não do departamento, foi o foco principal.
Algo que o Grêmio Sempre, o grupo político ao qual pertencem Adalberto Preis,
Saul Berdichevski e Odorico Roman integram. Aí entra a vaidade e a inveja.
Primeiro, a vaidade política. Muitos vêem o êxito no Departamento de
Futebol, de pessoas ligadas a um mesmo grupo político, como algo perigoso e que
daria visibilidade a esse grupo. Uma vaidade de quem coloca os seus projetos
políticos acima dos interesses do clube. Para esses, uma crise que tirasse
aquele grupo do Departamento de Futebol, abriria espaço para um outro grupo
assumir o departamento, usufruindo da estabilidade e do ciclo de vitórias para
ficar sob os holofotes. Ora, supor crises decorrentes da saída de Odorico e
Saul e "vazá-las" para a Imprensa é uma tática previsível nesse
momento. Claro, dançar com a rainha do baile todo mundo quer! Mas, assumir esse
mesmo Departamento de Futebol, numa situação de fuga do rebaixamento e sem
dinheiro (algo que Saul Berdichevski e Adalberto Preis já fizeram), faltam
voluntários.
O que tranquiliza todos os gremistas é que o presidente Romildo já
demonstrou toda a sua habilidade política para conduzir mudanças sem deixar
surgir qualquer instabilidade, mantendo o projeto de clube, não apenas de
gestão. Com base nisso, o novo Departamento de Futebol, independentemente de
quais sejam os nomes, será o condutor de um projeto de Futebol em curso. Que
não sucumbirá para a inveja e o "fogo amigo".
Além de ser perniciosa por si só, a inveja também alimenta um outro mal do
futebol: o mau-caratismo. Especialmente o de jornalistas de grandes veículos de
comunicação, que subvertem o papel da Imprensa, de investigar, buscar fontes
confiáveis, informar com a maior precisão possível, sem "plantar"
crises, colocando-se como bem informado e, assim, aproveitando-se da penetração
de seu veículo de comunicação para ganhar mais patrocinadores (e dinheiro),
formando a opinião dos torcedores, ainda consumidores das mídias tradicionais.
Como maior exemplo disso, temos Pedro Ernesto Denardin, da RBS. Enciumado
pelo fato de Hiltor Mombach, do concorrente Correio do Povo, ter noticiado que
já havia informado sobre a saída de Odorico Roman com antecedência, enquanto
ele ainda afirmava que o fato era surpreendente e repentino, tratou de colocar
como pauta principal de toda a programação esportiva da RBS, que a saída de
Roman tinha caráter eminentemente político, ao contrário do que todos os
envolvidos diziam, dizendo ele possuir informação interna e irrefutável dessa
teoria.
Em sua teoria, Denardin afirma que o Grêmio Sempre (grupo de Odorico,
Adalberto e Saul, além do vice-presidente Paulo Luz) teria um projeto político
de lançar-se à presidência com Adalberto Preis e que seria o motivo da saída de
seus integrantes do Departamento de Futebol nesse momento, antes do declínio,
"saindo por cima". Primeiro, o radialista acusa pessoas
experimentadas na vida pública do clube de cometerem suicídio político. Com
dois vice-presidentes, diversos outros integrantes atuando em vários
departamentos do clube e uma gestão vitoriosa no Futebol, seria suicídio romper
com a atual gestão, com a pacificação política, com a possibilidade de
conquistar mais títulos para o clube, para se preocuparem com uma eleição que
só ocorrerá no ano que vem.
Segundo, levianamente, Denardin se aproveita de um programa de grande
audiência, o Sala de Redação, para propor uma teoria, colocada por ele como
verdade irrefutável, que imputa a uma dezena de gremistas com longa ficha de
serviços prestados ao Grêmio, a imagem de pessoas que colocam seus interesses
de grupo acima da instituição e de suas próprias histórias dentro do clube. Ao
insinuar tal teoria, Pedro Ernesto Denardin mostra que é tudo aquilo que propõe
ser o caráter daqueles a quem acusa. Sim, pois subverte o papel da Imprensa e
utiliza-se de uma grande instituição com a única intenção de obter ganho
pessoal com isso.
Ofende as pessoas, os grupos políticos, o Clube e seus torcedores. Mostra
como não fazer Jornalismo. Mostra a inveja e o mau-caratismo. Mas,
principalmente, mostra qual o papel da Imprensa para ele e seus pares. É
serví-los.
Antagonicamente, Odorico Roman, Saul Berdichevski, Adalberto Preis,
Paulo Luz e os demais integrantes do Grêmio Sempre (assim como inúmeras pessoas
de outros grupos políticos do Grêmio) servem ao Grêmio sem servirem-se dele. O
que desperta a inveja e o mau-caratismo em pessoas como o sr. Pedro Ernesto
Denardin.
Para encerrar, fica aqui o meu agradecimento, como gremista, à Odorico
Roman, Saul Berdichevski e Adalberto Preis, por tudo que fizeram no
Departamento de Futebol do Grêmio. A América é nossa!